A moda do jejum intermitente

Entra ano, sai ano e você já reparou que a cada hora surge uma dieta nova? A bola da vez é o jejum intermitente, que consiste em ficar sem comer nada durante oito, 12 ou mais horas. Nesses períodos, fica liberado apenas ingestão de água ou chás. Famosas como a atriz Deborah Secco e Gabriela Pugliesi estão entre as mulheres que aderiram a ele. Mas será que a deita é realmente eficaz? Não causa efeito sanfona? O Dr. Humberto Nicastro, nutricionista esportivo e técnico da Integralmédica esclarece as principais dúvidas sobre o assunto aqui:

 

O que é o jejum intermitente e como funciona?

O jejum intermitente é uma manobra nutricional de desistência/privação calórica que preconiza a realização de refeições com grande intervalo de duração. Algumas pessoas conhecem como “dias alternados de jejum” ou “jejum periódico de rotina”. Existem basicamente três modelos de jejum intermitente que já foram estudados pela literatura:

– Alternate Day Fasting (ADF): jejum a cada dois dias e consumo alimentar ad libitum entre os dias de jejum;

– Jejum 2x por semana em dias não consecutivos;

– Ingestão alimentar a cada 12 horas.

 

O que pode comer e em que quantidades?

O jejum intermitente tem seu fundamento baseado na alimentação paleolítica. O homem pré-histórico apresentava este padrão alimentar. Os alimentos que ele consumia eram: carnes, insetos, vegetais verdes, frutas e castanhas. Alguns destes alimentos só eram possíveis de serem consumidos de acordo com o clima e solo da região. Atualmente, costumo dizer que as pessoas realizam o “jejum intermitente moderno” com a inclusão de alimentos de baixa qualidade nutricional. Algumas pessoas relatam que não selecionam os alimentos e que, quando realizam as refeições, ingerem à vontade o que querem.

 

O que não se deve comer e por quê?       

Primeiramente, toda conduta nutricional deve priorizar a qualidade dietética. Alimentos e preparações como frituras, industrializados, embutidos, etc não devem ser recomendados em qualquer tipo de dieta. Se a realização do jejum intermitente acompanhar o padrão alimentar paleolítico, só é permitida a ingestão de carnes, vegetais verdes, frutas e castanhas. Atualmente as pessoas abrem exceções além destes alimentos, pois o ambiente social e cultural que vivemos não é o mesmo de milhões de anos atrás.

 

Pode aumentar o colesterol?

A literatura já dispõe de estudos com jejum intermitente e dislipidemia. O esperado é que essa prática melhore o perfil lipídico, ou seja, reduza o colesterol. Esta é uma das justificativas terapêuticas para adoção deste padrão alimentar.

 

Como é possível ficar em jejum tanto tempo? Não causa efeitos colaterais como fraqueza, mau humor, sintomas típicos das outras dietas que tem por aí?

Certamente há efeitos colaterais. Os efeitos citados são observados constantemente. Porém, acredito que o mais grave seja a perda de massa e de força muscular. Por isso, a aplicação desta conduta deve ser realizada somente com justificativa clínica e finalidade terapêutica. Não se deve adotar o jejum intermitente com finalidade estética.

 

Quem não deve fazer a dieta?

Só deve ser realizada somente com justificativa clínica e finalidade terapêutica (diabetes, dislipidemias, obesidade, hipertensão arterial). Não se deve adotar o jejum intermitente com finalidade estética.

 

Mulheres que tiveram bebê recentemente podem fazer ou prejudica a amamentação?

Não há nenhum estudo conduzido com esta população. Se não há dados científicos, não podemos recomendar, pois não sabemos se é seguro.

 

Alguma dica ou recomendação especial?

Procure um profissional nutricionista para que ele avalie sua real necessidade nutricional. Dieta eficaz é aquela que o paciente é capaz de seguir e que respeita seus hábitos, individualidades e rotina. Somos únicos. Não devemos nos alimentar igualmente. Dieta é sinônimo de individualidade biológica.

1 Comment

  • Daiane janeiro 5, 2017 at 10:42 am

    olá, vou tentar fazer essa dieta ,tenho 23 anos e peso 118k.

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