Criança X tecnologia: qual a idade para começar?

Quem tem filhos pequenos sabe o quanto é difícil hoje em dia criar uma criança longe da tecnologia, até porque eles já nascem inseridos no universo digital. Mas até que ponto o uso precoce da tecnologia é benéfico ou prejudicial? “Depende de quando e como ela é utilizada. A Academia Americana de Pediatria (APA), no que é seguida pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), orienta que até os 2 anos de idade não haja exposição à TV, ao computador, ao celular ou ao tablet. Nesse período, o cérebro está em franco processo de desenvolvimento, o que requer contato com incentivos variados e ativos:, explica a Dra. Vera Ferrari Rego Barros é psicanalista e presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

A especialista lembra ainda que as crianças pequenas aprendem por meio da interação com pessoas e coisas, logo, precisam ter uma gama de estímulos que requeiram o uso de todas as competências envolvidas. As capacidades motoras, as interações verbais, o tato, a visão, o paladar e o olfato devem estar integrados nas experiências com seu ambiente. Estas, aliadas à socialização, são fundamentais para um crescimento saudável. “É importante promover o convívio social das crianças, com brincadeiras criativas e atividades manuais. Brincando, ela aprende acerca das coisas e das pessoas, bem como sobre ela mesma, na medida em que vai se surpreendendo com suas habilidades”, diz a Dra. Vera.

No tempo certo

E será que tem uma idade certa para liberar o uso de aparelhos eletrônicos para as crianças?

“Para começar, evite o uso de tablets e smatphones antes dos 3 anos. A partir dessa idade, com maior compreensão e expressão, habilidades motoras e de socialização, a criança pode se beneficiar dos conteúdos de aplicativos direcionados à sua faixa etária. Mas atenção com jogos e programas muito rápidos, confusos e barulhentos – eles podem ser assustadores. Prefira aqueles com proposta educativa”, destaca a Dra. Vera.

E não se esqueça: os pais devem selecionar os aplicativos e monitorar o tempo de uso. A psicanalista orienta que 60 minutos por dia é suficiente. “Até porque o tempo de atenção e concentração delas a qualquer atividade é bem mais curto que os do adulto”.

No Comments

Leave a Comment