De olho na puberdade precoce

Já reparou como as crianças de hoje estão muito mais precoces do que no passado? Em partes, isso se deve ao maior acesso à informações, uso de tecnologia, mudanças na alimentão e estilo de vida. Mas, além disso, outra questão que tem sido mais recorrente nos consultórios e motivo de preocupação de muitos pais é a puberdade precoce.

A puberdade precoce é 10 vezes mais comum em meninas do que em meninos.

Se não diagnosticada e tratada, esta alteração pode ter impacto psicológico e social na criança, além de afetar seu desenvolvimento. No início, essas crianças são, em geral, mais altas que seus amigos ou familiares da mesma idade. Essa aceleração do desenvolvimento ósseo na criança, antes do tempo considerado ideal, pode resultar em baixa estatura quando adulta.

“Todas as crianças com desenvolvimento sexual precoce devem ser investigadas, pois podem ser sinais de um problema mais sério e estas crianças devem ser tratadas. O principal objetivo do tratamento é impedir que a criança chegue à puberdade antes do tempo desejado e possa, assim, manter seu desenvolvimento cronológico compatível  com a idade óssea. As crianças mais desenvolvidas do que colegas da mesma idade podem desenvolver problemas de ordem psicológica e social, como depressão e discriminação e, no caso das meninas, levar a uma gravidez precoce”, alerta o endocrinologista pediátrico Gil Guerra Júnior, Professor e Pesquisador do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.

Atenção aos sintomas

Geralmente, a puberdade começa em meninas entre 8 e 13 anos de idade e, em meninos, entre 9 e 14 anos. Na puberdade precoce, os sinais são semelhantes, porém acontecem bem antes do que período considerado normal.

Aparecimento de mamas ou de pelos pubianos em meninas com menos de 8 anos de idade e/ou  menstruação antes dos 9 anos de idade,  aumento do pênis ou dos testículos ou aparecimento de pelos pubianos em  meninos com menos de 9 anos podem ser sinais de puberdade.

Além do exame clínico com o pediatra, exames de sangue com dosagem hormonal e de imagem para avaliação da idade óssea podem confirmar se a criança está com puberdade precoce. Em caso positivo, o médico inicia um tratamento para restabelecer o ritmo de crescimento compatível com a idade cronológica da criança.

“Com o monitoramento constante e tratamento adequado, a criança pode voltar a ter um crescimento compatível com sua idade”, diz Gil Guerra.

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