Prevenção contra o suicídio entre jovens

De acordo com o Ministério da Saúde, diariamente, 32 brasileiros tiram a própria vida, e a proporção de jovens nesse índice vem crescendo aceleradamente. Os números são assustadores. A taxa de suicídio de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos aumentou em 40%, enquanto entre jovens entre 15 e 19 anos o índice cresceu 33%.

Para o médico psiquiatra e educador Celso Lopes de Souza, fundador do Programa Semente, o combate e a prevenção a um problema que já é considerado de saúde pública no Brasil deve começar desde cedo, ainda na sala de aula. Junto com um grupo de educadores e com base no Casel, principal centro de estudos da aprendizagem socioemocional do mundo, ele fundou o Programa Semente, metodologia que está sendo aplicada em escolas brasileiras e ensina os alunos a lidarem com os próprios sentimentos, como ansiedade, medo e tristeza, por exemplo.

Numa aula sobre autoconhecimento e autocontrole, por exemplo, o aluno é incentivado a refletir sobre suas emoções e se conhecer melhor. De forma estruturada, o programa trabalha os cinco domínios: autoconhecimento, autocontrole, empatia, tomada de decisões responsáveis e habilidades sociais. O controle da ansiedade, por exemplo, é fomentado com estratégias que auxiliam os estudantes a enfrentarem situações, procurando reconhecer os desafios e as capacidades de forma realista e sem distorções.

“Saber reconhecer emoções, relacionando-as com os pensamentos que as geram e entendendo como tudo isso influencia o comportamento permite que cada um compreenda melhor as próprias limitações e conheça suas fortalezas, o que aumenta a confiança, o otimismo e a autoestima”, afirma Celso.

Para isso, o programa ensina ao aluno estratégias para identificar e questionar os pensamentos, especialmente quando as emoções não estão contribuindo para o enfrentamento das situações.

“É o que chamamos de flexibilização cognitiva, muito eficaz para evitarmos armadilhas em momentos em que enxergamos a realidade de modo distorcido, o que pode levar a erros de interpretação”, explica. Pessoas que estão com pensamento de morte costumam apresentar uma rigidez cognitiva caracterizada por enxergar o sofrimento como insuportável, impossível e interminável. “A capacidade de flexibilizar esses pensamentos pode ser decisiva para o enfrentamento dessas fases, que apesar de parecerem impossíveis de serem superadas, asseguradamente passarão”, afirma.

Para Celso, as competências socioemocionais, se trabalhadas com êxito nas escolas, e também em casa, terão um impacto positivo enorme no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes.  Do mesmo jeito que ensinamos as crianças a nadar e andar de bicicleta, devemos ensiná-las a lidar com suas emoções”, conclui.

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