Cuidado para não engravidar no pós-parto

A chegada do bebê é um momento único na vida de um casal. E também cheio de mudanças na rotina. Noites mal dormidas, incontáveis trocas de fralda… Por mais tranquila que seja a chegada do bebê, esses momentos são reais e acabam fazendo com que as mulheres se esqueçam de ações rotineiras, como tomar a pílula para evitar uma gravidez.

 

“O pós-parto é um período estressante, pois o casal está se adaptando a uma nova vida e os horários de descanso são escassos. A utilização de um método contraceptivo é mais uma atividade dentro desse contexto e, muitas vezes, acaba ficando para mais tarde ou sendo esquecida, impactando na eficácia do método e favorecendo uma gravidez não planejada em um período cheio de mudanças”, explica a ginecologista Ilza Maria Urbano Monteiro, da Universidade Estadual de Campinas.

 

Além do impacto no dia a dia da família, intervalos intergestacionais são recomendados pelos médicos para evitar complicações, reduzindo o risco de mortes maternas e infantis. Quando os intervalos são pequenos, os riscos aumentam. Quando os bebês têm menos de 18 meses de diferença para o irmão, aumentam as chances de parto prematuro, de nascerem subnutridos ou até mesmo com paralisia cerebral.
Para evitar uma gravidez não planejada nesse período, um detalhe muito importante deve ser considerado, o retorno da ovulação. Quando o corpo da mulher volta a liberar óvulo, ele está apto a engravidar novamente e a amamentação exclusiva é um fator que pode adiar esse momento.

Segundo a especialista, quando as mulheres amamentam os bebês exclusivamente com leite materno, o corpo demora mais tempo para retomar a ovulação, apenas em 20% dos casos o cenário é diferente. Porém, quando o bebê ingere fórmula (leite em pó) ou outros alimentos além do leite materno, esse percentual aumenta.

A ginecologista lembra que é comum que as mães que não estão amamentando comecem a ovular mais cedo, em torno de 25 dias após o parto, e que, apesar das ovulações muito precoces não resultarem em gravidez, quando ocorrem 42 dias após o parto, podem levar a uma gestação sustentada. “Por isso, é sempre bom que a mulher fique atenta e converse com o médico para encontrar o método contraceptivo mais adequado ao seu perfil e momento de vida, esteja ela amamentando durante o pós-parto ou não”, alerta a Dra. Ilza.

Os métodos contraceptivos que não exigem lembrança e oferecem alta eficácia são os de longa ação. “Nos primeiros meses, que a mulher está focada no bebê, é mais difícil incluir uma atividade com hora marcada nessa rotina. Tornam-se interessantes métodos práticos, como o implante subcutâneo, o DIU de cobre ou o SIU (DIU com hormônio), que requerem troca apenas depois de alguns anos e são os métodos que apresentam a maior eficácia. Como nenhum deles contêm estrogênio, podem ser utilizados por quem está amamentando”, explica a médica.

A recuperação da fertilidade pré-existente ao uso de qualquer um desses métodos ocorre em seguida à retirada, permitindo que a mulher engravide após a próxima menstruação e tenha uma gravidez planejada.

 

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