Pesquisa revela a angústia das mães de UTI

A jornalista e pesquisadora Karina Fusco viveu a experiência de dar à luz em 2008 e ser informada, ainda na sala de parto, que seu bebê seria encaminhado para a UTI, sem maiores explicações do que havia de errado. Na ocasião, sofreu com a falta de informações sobre o estado de saúde de seu filho e teve dificuldades de entrar na UTI na primeira visita, pelo fato de não conseguir caminhar e precisar de cadeira de rodas. Ali, sentiu falta de acolhimento, de esclarecimentos e de apoio psicológico, apesar de a instituição oferecer uma série de serviços e comodidades a seus clientes.

 

Karina então usou sua própria história como exemplo para desenvolver uma pesquisa sobre as Mães de UTI, em 2016, quando cursava a pós-graduação em Hotelaria Hospitalar do Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, ligado ao Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo e o resultado foi revelador.

 

De acordo com o estudo “Falhas de Comunicação em Ambiente Hospitalar com as Mães de UTI” conduzido pela pesquisadora Karina, 57% das puérperas receberam na sala de parto a notícia de que o filho recém-nascido precisaria ser encaminhado para a UTI de forma fria, sem qualquer cuidado ou sensibilidade.

 

Mas é justamente quando a rotina se estabelece e as mães têm que se adequar às restrições de visitas às UTIs, é que sentem as maiores dificuldades na comunicação em ambiente hospitalar. A pesquisa apontou que, durante esse período, 79% das mães receberam informações sobre a saúde dos filhos apenas nos momentos de visita e de forma automática, apressada e nada humanizada. Para 68% das entrevistadas, isso não é satisfatório.

 

Realizada no segundo semestre de 2016 no curso de pós-graduação em Hotelaria Hospitalar do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein, a pesquisa foi apresentada no Congresso de Hospitalidade, que aconteceu em 19 de maio nas dependências da Feira Hospitalar, em São Paulo. Além de dados quantitativos, o levantamento também trouxe à tona depoimentos que demonstram que há muitos problemas que fazem com que as mães sofram ainda mais.

 

Karina entrevistou mais de 70 mulheres. De maneira geral as mulheres relataram descontentamento com as informações técnicas passadas pelos médicos e com a falta de clareza sobre o quadro de saúde dos filhos, além de pouco espaço para esclarecer dúvidas. “Um dos depoimentos mais marcantes foi de uma mãe que entrou na UTI no momento da visita e encontrou vazia a incubadora onde a filha ficava. Só depois de se desesperar é que uma enfermeira informou que a criança tinha melhorado e havia sido transferida para a Unidade Semi-Intensiva algumas horas antes. Tudo isso sem avisar a família. Uma falha terrível de comunicação”, lembrou a pesquisadora.

 

A pesquisadora ressalta que 90% das entrevistadas viveram essa experiência em hospitais e maternidades particulares do estado de São Paulo, o que mostra que, apesar de muitas instituições oferecerem inúmeros serviços diferenciados para atrair a clientela, ainda pecam em uma necessidade básica da mulher após dar à luz, que é saber exatamente e com maior frequência como o filho está.

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