Ajude seu filho a se adaptar na nova escola

Com a atual crise econômica que estamos vivendo, é grande o número de pais que estão mudando os filhos de escola, seja em colégios públicos ou particulares com preços que caibam no bolso.

“Muitas vezes necessária, a troca de escola é uma mudança difícil. Os pais precisam preparar a criança para a mudança que está por vir, ouvindo-a e buscando conhecer seus medos, suas expectativas e seus receios. É de suma importância que a criança tenha conhecimento do real motivo pelo qual está trocando de escola. Desta forma, os pais já começam a trabalhar com o filho que “durante toda vida terá que se submeter a mudanças”, explica a psicopedagoga Edivoneide Andrade.

Se todo início de ano já gera ansiedade para as crianças, que dirá então quando se troca de colégio, não é mesmo? Novos amigos, nova dinâmica, outra rotina. Tudo isso pode gerar insegurança nos pequenos.

“Tudo será novo e o que é novo realmente pode ser assustador, ao menos no começo. Essa adaptação precisa ser trabalhada, principalmente nas crianças menores, mas os mais velhos também precisam do apoio dos pais”, ensina Katarina Bergami, pedagoga, Coordenadora Educacional da Faces Bilíngue, de São Paulo.

As escolas costumam oferecer aos pais um período de adaptação e eles devem ajudar seus filhos neste momento, acompanhando-os nos primeiros dias, especialmente os menores.

“É um erro a escola determinar o tempo que o adulto deve acompanhar a criança na adaptação, até porque cada criança e cada adulto demoram mais ou menos para se adaptar ao novo e para confiar na escola. Sabemos que, na segunda ou terceira semana, os pequeninos já se adaptaram, enquanto os maiorzinhos levam dois ou três dias. Em muitos casos, não é uma questão de idade, mas de personalidade. De qualquer maneira, o ideal é não determinarmos um tempo, mas deixamos as famílias à vontade”, explica a pedagoga.

 

A adaptação em cada fase

 

Berçário

Em geral, as mães ou avós fazem a adaptação da criança ao berçário. O familiar do bebê pode ficar em período de adaptação o tempo em que achar necessário, acompanhando todos os processos realizados com a criança.

 

Crianças em idade pré-escolar

Quando a criança é maiorzinha e interage com a sua turma, é normal que fique no colo de seu familiar nos primeiros momentos. A professora e o próprio familiar a estimulam a participar das atividades, sem forçá-la, e ela vai criando coragem e confiança nas pessoas, no ambiente e nas outras crianças, preparando-se para estar ali sem a presença de seu familiar. “Em diversos momentos, ela se afasta do adulto, interage com as outras crianças, as brincadeiras, os objetos e o professor, depois volta ao colo do familiar. Aos poucos, aquela pessoa da família fica cada vez menos necessária na escola e pode deixar a criança. A adaptação é tranquila e sem traumas”.

 

Crianças em idade escolar

A adaptação é mais rápida nesta idade, mas também varia de criança para criança. “Aos poucos, a criança pede que o adulto não a acompanhe mais. Em geral, em dois ou três dias, essa presença não é mais necessária e há, também, aquelas crianças mais independentes, que se despedem dos pais no primeiro dia, sem que haja qualquer necessidade de adaptação.

 

A adaptação familiar

Katarina Bergami diz que, muitas vezes, a insegurança é da própria família. “Os pais precisam entender que seus filhos não são incapazes, impotentes. As crianças, mesmo quando não sabem falar, conseguem se comunicar por gestos e sons. Não passarão fome, sede ou sofrerão agressões. Essa adaptação da família é necessária, mas é muito mais psicológica do que prática. É preciso deixar que o processo ocorra naturalmente e confiar em quem cuidará da criança, para que ela também confie na escola”, aconselha a especialista.

 

E para os pais…

“Para os pais se acalmarem é preciso ter plena confiança na escola que escolheram para o filho. Vale trocar experiências com outros pais e ter muita paciência, pois o choro, nos primeiros dias, é normal, principalmente para os pequeninos. Eles enfrentarão mudanças de ambiente, de pessoas e de comportamentos, o que pode gerar neles insegurança e ansiedade. Não cedam ao choro nem chorem na frente da criança. Na maioria das vezes, o que gera a ansiedade no filho é a insegurança dos pais ao deixá-lo naquele novo ambiente. Sejam confiantes, acreditem na escola e no corpo docente que é preparado para lidar com essas situações”, aconselha Edivoneide Andrade.

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